RELACIONAMENTO VIRTUAL

10421543_597099393735494_5265851132994164949_n

Muitas pessoas criam “relacionamentos românticos virtuais” em sites de relacionamento social. Encontram outras pessoas, trocam fotografias e até se apaixonam por seus parceiros virtuais!

A razão pela qual somos tão atraídos pelos nossos parceiros virtuais está no fato de que a conexão que estabelecemos com eles é não material, dissociada de contato físico e de certo modo até “espiritual”. Como não estamos contidos por nenhuma limitação física, nos sentimos livres para fantasiar tudo e tanto quanto queiramos, para atribuir as melhores qualidades ao nosso parceiro virtual e elevar esta conexão “às nuvens”, por assim dizer. Nos convencemos de quão especial é esta conexão, e que é uma oportunidade para alcançar o amor perfeito, bonito e maravilhoso. Claro que existem casos que verdadeiramente se torna um caso de amor verdadeiro. Mas como já comentei. os casos são bem poucos, em relação aos casos que terminam em lágrimas e desilusão!

Mas infelizmente, em alguns casos, na maioria dos casos creio eu, é tudo uma ilusão. Na internet as características físicas de uma pessoa podem ser escondidas e seus aspectos internos muito enfatizados. Qualquer um pode se expressar do modo que quiser e o problema é que perdemos a noção da realidade, e de nossa própria realidade na medida em que nos aprofundamos neste jogo. Nos esquecemos que não estamos lidando com uma pessoa real, mas sim com a nossa própria imaginação que mistura muitas vezes, realidade com fantasia, atração com paixão, ou carência afetiva com amor.

Quando então conhecemos alguém pessoalmente na vida real, podemos dizer se ela realmente apresenta certas características ou não. Na internet, funciona ao contrário. O que vemos é apenas uma imagem cuidadosamente selecionada e lemos umas poucas linhas que podem muito bem ser nada além de mentiras e ilusão que seguimos imaginando coisas que são irreais. Mas, no momento em que encontramos o nosso parceiro virtual pessoalmente, esta doce bolha de fantasia explode.

Nos sites, os usuários tem a disposição, uma ferramenta que minimizaria as dificuldades próprias de relacionamento social. Muitos, se relacionam virtualmente devido a estarem distantes por causa de trabalho, viajem e outros quesitos. O que é diferente, de muitas pessoas buscarem ou manterem uma relação virtual,por serem tímidas, por fantasia, curiosidade ou por terem sofrido alguma decepção e estarem com medo de se relacionar novamente e para isso não há uma regra. A pessoa por traz do computador cria uma falsa segurança de que está fora de risco de se decepcionar com o outro. É uma expectativa fora do real porque todo relacionamento tem pontos positivos e negativos. O namoro virtual permite o convívio com uma pessoa sem dividir os problemas e dificuldades de um casal real.

Mas, a ilusão de proximidade, de conhecimento e intimidade a despeito das ( às vezes ) enormes distâncias geográficas é um dos aspectos negativos da virtualidade. É possível sim, conhecermos ótimas pessoas na internet. encontrar um parceiro na internet, mas jamais devemos nos descuidar de ficarmos atentos às armadilhas, pois há definitivamente um sentimento de desinibição on-line, que torna muito mais fácil fácil enfatizar as qualidades e tentar esconder os defeitos. Por exemplo. Eu acho muito pouco provável que dirão logo no inicio ou nos primeiros contatos e troca de emails ou mensagens de waths ou skype: ” Sou um alcoólatra de meia idade que já se casou cinco vezes”. Mas, em vez disso, tentarão se mostrar como uma boa alternativa. Por isso, todo cuidado é necessário para não se entrar em uma barca furada. Vale lembrar que o fato de alguém conseguir fazer um comentário esperto, ser gentil, educado, envolvente e sedutor ou escrever um e-mail inteligente certamente não significa que essa pessoa pode ser o par perfeito. E isso se aplica a homens e mulheres. E quando a rede social é voltada para adolescentes, ai o cuidado deve triplicar.

O virtual trouxe avanços incríveis no terreno do conhecimento de dados e das informações, mas trouxe também o desligamento da realidade real, do contato físico, que é muito importante para qualquer ser humano. O contato real continua insubstituível.

No virtual tudo se torna mais colorido. Fantasias sempre se fazem presente facilitando a sedução. E na maioria das vezes enxerga-se, projeta-se no outro o que deseja. Nas trocas de informações pessoais já se inicia o processo de sedução, de conquista. As palavras é que seduzem. E como seduzem! Em alguns casos a pessoa se descreve exatamente como gostaria de ser.

No virtual, a pessoa apaixona-se mais pelas suas idéias, pela sua capacidade de seduzir e se envolver, do que pelo outro. Visto que percebe o outro como gostaria que ele fosse. De forma virtual todas as pessoas são lindas. Grande é o número de pessoas que aprendem a se expressar melhor escrevendo, se comunicando com o outro do que falando e interagindo pessoalmente.

Relacionamento virtual, em alguns caso pode até ter algum efeito terapêutico no caso de pessoas que afetivamente se sentem carentes. Embora relacionamento virtual desliga a pessoa do real, do concreto.

O poeta César Luca Álvares descreve em versos o amor virtual
A imaginação é algo surpreendente
Nunca a vi, e percebo sua presença
Nunca a abracei, e sinto seu aroma
Nunca a beijei, e guardo seu sabor
Fantástico mundo virtual

Manoel João

Terapeuta Floral – Psicoterapeuta Holístico – Musicoterapeuta
Anúncios
Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

O QUE SIGNIFICA SER PLENO, E TER PLENITUDE?

screen-shot-2010-12-24-at-12-21-02-am

Estamos no universo para passar por  situações constantes, onde estamos ensinando e aprendendo, e chegarmos ao patamar de virtudes . O planeta é uma grande escola, viajando a milhares de quilômetros, onde não se tem férias, nem recreio, pois o aprendizado acontece em tempo integral.

Por ventura, as pessoas tem percebido que o tempo está passando cada vez mais rápido? Dias, meses, anos. Enfim mais um motivo para desfrutarmos o máximo de nosso tempo presente.

Nós gastamos muita energia física e mental, ocupando nossas mentes com acontecimentos passados e utopias futuras e acabamos rejeitando o nosso presente o qual o futuro será a consequência de nossas escolhas no aqui e agora, já que o futuro reside na esfera do empírico, fantasias e suposições, posto que ele ainda será escrito por nós mediante nossos atos, atitudes e pensamentos.

Pensar e agir no passado só nos traz angústia e sofrimento. Acabamos sempre julgando tudo e à todos pelo passado que já não existe mais, nos esquecendo que existe o agora, resultando o presente.

Se desprender do passado e não se arrepender de nada que tenhamos feito, pois o jeito somos hoje, é a soma de todas as nossas escolhas passadas. Nos cabe aceitar este fato, e seguirmos em frente. 

Acredito firmemente que a nossa vida é tocada de eternidade. Temos todos na nossa história pessoal aqueles momentos que resumem anos de procura e conhecimento. Em que podemos dizer que foi o dia em que nos tornamos uma outra pessoa, ou que mudou nossas vidas. Também os momentos que marcam definitivamente pela negativa, que impuseram rupturas e decisões dolorosas. Em tudo isto, há uma dimensão de qualquer coisa de definitivo que pode ser tão libertador, iluminador ou tão destruidor.

Por isso temos sempre atrás e à nossa frente um caminho complexo. Que procuramos que seja pleno, que aja plenitude em que tudo seja linear e óbvio.  E descobrimos que o que não abunda são as respostas fáceis.

Uma vida plena, não é uma vida cheia. Aliás as nossas agendas super preenchidas falam-nos mais de vento do que de mar. A plenitude está em pôr uma cor dentro dos nossos espaços vazios, ou cinzentos. Que ainda por cima são espaços que nem sabemos como os preencher. Talvez seja este o desafio e a surpresa: De deixar que sejam pintados por outro que sabe muito mais de nós e da nossa ida que nós próprios. E confiança assim gratuita não é fácil, porque teimamos sempre em ser donos de nós mesmos. Porem, isso é uma utopia. Se vivemos em família, em sociedade, como sermos donos de nós mesmos, já que sentimos e fazemos sentir nos outros os efeitos de nossos atos e pensamentos?

Se somos donos de nós, porque então nos melindramos, nos iramos, nos entristecemos quando algo ou alguém não faz o que queiramos que seja feito, e vice e versa? Confundimos independência com autonomia. Autonomia todos podem ter e isso é até relativamente fácil de se obter. Mas independência não. Todos nós dependemos de alguém. Dependemos de um homem e uma mulher para nascermos. Dependemos de um professor para aprendermos a ler e escrever. dependemos de uma faculdade para termos maiores conhecimentos e termos melhores chances. E veja bem: Até para escrever no facebook, dependemos de alguém que inventou o computador, o teclado, a telinha, e etc.

A plenitude da vida, cada 24 horas de um dia, deveria equivaler por uma vida inteira sendo plena.  É quando as pessoas mais sensíveis param e se permitem curtir o espetáculo do pôr do sol, percebendo, mesmo sem entender, que há algo muito maior e mais importante do que a busca frenética e mesquinha pelo dinheiro, pela fama e pelo poder, a qual está empenhado o mundo.

O mais importante, é perceber os valores pessoais, as experiências que se adquiriu ao longo da vida e elaborar um “plano de ação” . De qualquer forma, é necessário que haja incentivos e ações suficientemente poderosos para superar a auto crítica depreciativa e sobrepujar as forças retardadoras para o desfrute de uma maturidade e velhice feliz. A par dessas possibilidades, conseguir aceitar a si mesmo em suas condições já constitui, por si só, um feito extraordinário. O alívio gerado pela libertação dessas amarras, melhorará a qualidade dos relacionamentos com os outros e consigo mesmo, tornando-o mais forte emocionalmente. E quanto mais emocionalmente forte estivermos, menos nos  sentiremos ameaçado por s outras pessoas ou pelas circunstâncias. Daí para o “produzir” é um pulo, afastando o tédio, a tendência ao vício e a tristeza.

Quanto ao amor, mais vale um amigo por perto do que um parente longe. Aprenda a valorizar as pessoas que se importam com você e estão dedicando um partilhamento mesmo que momentâneos suas vidas, ao seu conforto e bem estar ao invés de gastar um tempo tão precioso com aquelas pessoas que não estão nem aí para você.

Em qualquer fase de uma vida plena,  a capacidade de se adaptar ao novo é essencial para gozar o prazer em viver, e ter plenitude na vida,  quer seja (re)aprendendo com o mais novo ou com o mais velho, quer seja ensinando ao mais novo ou ao mais velho. Assim, muitos são os motivos pelos quais é possível que a vida, seja um período prazeroso, produtivo e emocionante. Seja qual for sua idade, se você se julga velho ou novo, traga à memória somente aquilo que lhe pode dar esperança. A vida nesse planeta é tão curta que não vale a pena remoer nada, mas sim deixar o coração agir e pulsar no ritmo do amor universal, já que fazemos parte de um todo!

Curta intensamente cada momento do dia, pois afinal, como bem disse, aos 86 anos, o poeta e escritor alemão Goethe:

“Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira”.

Manoel João

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

O MITO DE DEMETER E OS RITUAIS DE PASSAGEM

images (1)Perséfone, filha de Deméter, crescia tranqüila e feliz entre as ninfas e em companhia de Ártemis e Atená, quando um dia seu tio Hades, que a desejava, a raptou com o auxílio de Zeus seu pai. Perséfone colhia flores e Zeus, para atraí-la, colocou um lírio às bordas de um abismo. Ao aproximar-se da flor, a terra se abriu e Plutão apareceu e a conduziu para o mundo tectônico (inferno).

images (3)No momento em que estava sendo arrastada para o abismo, Perséfone da um grito agudo e Deméter corre, mas não conseguiu vê-la, e nem tampouco perceber o que havia acontecido. Simplesmente a filha desapareceu. Desde então começou para a Deméter a dolorosa tarefa de procurar a filha, levando-a a percorrer o mundo inteiro, com um archote aceso em cada uma das mãos. Durante nove dias e nove noites, sem comer, sem beber, sem se banhar, a deusa errou pelo mundo. No décimo dia encontrou Hecate (deusa da magia), que também ouvira o grito e viu que a jovem estava sendo arrastada para algum lugar. Mas não lhe foi possível reconhecer o raptor, cuja cabeça estava encoberta com as sombras da noite. Somente Apolo (deus do sol), que tudo vê, cientificou-a da verdade. Irritada e furiosa com Plutão e Zeus, decidiu não mais retornar ao Olimpo, mas permanecer na Terra, abdicando de suas funções divinas, até que lhe devolvessem a filha.

images (4)E então, sob o aspecto de uma velha, dirigiu-se aos Elêusis e primeiro sentou-se sobre uma pedra, que passou, desde então, a chamar-se “pedra sem alegria”. Interrogada pelas filhas do rei local, Céleo, declarou chamar-se Doso e que escapara, das mãos de piratas que a levaram, à força, da ilha de Creta. Convidada para cuidar de Demofonte, filho recém nascido da rainha Metanira, a deusa aceita a incumbência. Ao penetrar no palácio, todavia, sentou-se num banco e, durante longo tempo, permaneceu em silêncio, com o rosto coberto por um véu, até que uma criada a fez rir, com suas piadas maliciosas e gestos obscenos. Deméter não aceitou o vinho que Metanira lhe ofereceu, mas pediu que lhe preparassem o cíceon, que significa “mistura, perturbação, agitação”. Era uma bebida mágica. Encarregada de cuidar do caçula Demofonte, que significa, “o que brilha entre o povo”, a deusa não lhe dava leite, mas sim, o ciceon, e após esfregá-lo com ambrosia, o escondia, durante a noite no fogo como se fosse um tição.

images (2)A cada dia o menino se tornava mais belo e parecido com um deus. Deméter realmente desejava torná-lo imortal e eternamente jovem. Uma noite, porém, Metanira descobriu o filho entre as chamas e começou a gritar desesperada. A deusa interrompeu o grande rito iniciático e exclamou cheia de fúria:

 
ʺHomens mortais, ignorantes, insensatos e estúpidos que não sabeis discernir o que há de bom ou de mal em vosso destino. Eis que tua loucura te levou a mais grave das faltas! Juro pela água implacável do Estige, pela qual juram também os deuses que eu teria feito de teu filho um ser eternamente jovem e isento da morte, outorgando-lhe um privilégio imorredouro. Mas, por causa da vossa estupidez, a partir de agora ele não poderá escapar do destino da morte e se apresentar ao reino das sombras na barca de Caronte pelas mãos de Thanatos (deus da morte). Surgindo na sua forma de deusa e em todo seu esplendor com uma luz ofuscante que saia do seu corpo, ordenou antes de deixar o palácio, que lhe erguessem um grande templo, e um altar onde ela, pessoalmente, ensinaria seus ritos aos seres humanos. Encarregou, em seguida. Triptóleno, irmão mais velho de Demofonte, de difundir pelo mundo inteiro a cultura do trigo.

Construído o santuário, Deméter recolheu-se ao seu interior, consumida pela saudade de Perséfone. Então, uma seca terrível provocada pela fúria de Deméter se abateu sobre a Terra. Em vão Zeus lhe mandou mensageiros, pedindo que regressasse ao Olimpo. A deusa respondeu com firmeza que não voltaria ao convívio dos imortais e nem tampouco permitiria que a vegetação crescesse, enquanto não lhe entregassem a filha. Como a ordem do mundo estava em perigo, Zeus pediu a Plutão que devolvesse Perséfone.

download (1)O rei dos infernos curvou-se à vontade soberana do irmão, mas, habilmente, fez com que a esposa Perséfone colocasse na boca uma semente de romã. Obrigou-a engolir, e assim a impedia de deixar a outra vida. Finalmente, chegou-se a um consenso: Perséfone passaria quatro meses com o esposo e oito com a mãe.

images (6)Reencontrando a filha, Deméter radiante de felicidade, retornou ao Olimpo e a Terra cobriu-se, instantaneamente, de verde. Antes de seu regresso, porém, a grande deusa ensinou todos os seus mistérios ao rei Céleo, a seu filho Triptóleno, a Déocles e a Eumolpo ensinou os mais belos ritos, os ritos augustos (divinos) que são impossíveis de transgredir, penetrar ou divulgar, ou seja: o respeito pela deusa (o sagrado feminino), que de tão forte, embarga a voz.

images (5)

Interpretação

Vemos pelo mito acima, que são muitos os momentos e passagens que a mulher passa em sua vida. Podemos considerar como principais as seguintes: nascimento, menstruação, casamento, gravidez, parto, menopausa e morte. Se fizermos uma retrospectiva aos assuntos estudados será fácil constatar que dentre eles a menopausa esta entre os mais importantes. O que não significa que os outros sejam menos importantes. 

O termo menopausa deriva do grego mens = mês e pausis = parada, ou seja, significa o fim dos fluxos menstruais ou a última menstruação, devido à perda da atividade folicular ovariana. A menopausa costuma ocorrer entre 35 e 59 anos, dizendo-se prematura quando se instala antes dos 40 anos, e tardia após os 52 anos. No discurso das mulheres percebemos que a maioria delas considera a menopausa como a parada da menstruação ou fim da fertilidade, o que chama atenção uma vez que se costuma considerar que a própria feminilidade da mulher é significada pela via da maternidade. O material referente à menopausa se refere a ela como uma carência, ou um sintoma de envelhecimento. É verdade que, na literatura junguiana, muito já foi explorado no que se refere ao processo de individuação e a segunda metade da vida. Além disso, é impressionante como há, na mitologia, mitos que fazem referências a situações de passagem que o ser humano atravessa, tais como os citados anteriormente. Entretanto, é mais impressionante percebermos que são mínimas as referências a uma situação que toda mulher que vive até cerca dos 50 anos precisa enfrentar. Dentre os mitos, procuramos aqui imaginar como o mito de Deméter e Perséfone, deusas gregas, pode ser utilizado para ilustrar o ritual de passagem ao qual é submetida à mulher quando sua menstruação começa a faltar e como ela se relaciona com a psique e o corpo nesta fase. 

No mito, é nítida a referência feita às fases da vida, menina/moça/idosa, e de seus personagens. Pensando em Deméter e Perséfone como componentes simbólicos da mesma personalidade, e na simbologia da menopausa como aquela que leva a mulher jovem e deixa à idosa, podemos imaginar o rapto de Plutão como a menopausa, ou seja, aquele que leva a jovem da vida da mulher adulta e deixa à “velha” (muitas mulheres afirmam que com a menopausa passaram a se sentir velhas), pois quando se vai à menstruação e leva com ela a juventude, fica a maturidade, “a velhice”. Essa separação, demonstrada de forma dramática no mito, parece ser de grande importância para mostrar os conflitos que a mulher enfrenta, para viver toda e qualquer nova fase.

Se olharmos com atenção para os conflitos enfrentados pela deusa, como as mudanças corporais, vivências estranhas, tristeza, solidão, labilidade de humor, podemos perceber que eles podem ser associados com facilidade às vivências por que passa uma mulher na menopausa. Como resultado de tantas mudanças e limitações está à ira, já que a “jovem” dela foi levada. A mulher passa por um momento de solidão, recolhimento e isolamento, já que não tem como expressar aos outro o que se passa com ela. A vivência da morte e esterilidade se relacionam com o fim da fertilidade que assola a terra. Como Deméter, é como se a mulher que entra na menopausa se sentasse na “Pedra sem Alegria”.

No mito, a deusa não desiste de sua busca, a “velha” acredita que conseguirá resgatar a “jovem” do Inferno. O mesmo me parece que acontece com a mulher depois que entra na menopausa. É impressionante hoje percebermos como as mulheres estão cada vez mais jovens esteticamente, além do fato comprovado de que elas têm vivido muito mais. O cuidado com Demofonte e a tentativa de torná-lo imortal podem ser associados ao desejo da mulher menopausada de ser eternamente jovem. Mas será que, pensando no que vinha sendo discutido anteriormente, Demofonte não poderia também ser associado aos sentimentos e emoções dessa mulher, antes primitivo e infantil, e que agora, com a ida da jovem para o Hades, é cuidado, tratado e crescendo forte e robusto?

O retorno de Perséfone, comprometida a passar 1/3 do ano nas profundezas pode ser facilmente relacionado ao fato de que é através de sua juventude que, diferente do que a mulher pensa não se perde para sempre com a menopausa, mas sim, é que ela estará comprometida com o profundo, mostrando a necessidade e possibilidade do reencontro e da união da jovem e da velha.

Analisado como o mito em si pode se relacionar à menopausa, podemos considerar qual a importância do arquétipo de Deméter para a mulher, e como o mesmo influencia a mulher que chegou ao fim de sua vida fértil.

Deméter é conhecida como a deusa mãe, da fertilidade e provedora de alimento espiritual, sendo considerada a que nutre, a mais protetora de todas as deusas. Mesmo que não possamos afirmar que este é o arquétipo dominante em todas as mulheres, acredito que no momento em que uma mulher considera sobre ter um filho, ela está cultivando e convidando o arquétipo materno, de Deméter, a se tornar mais ativo. Acredito que possamos afirmar sim, que a grande maioria das mulheres (senão todas), em algum momento de sua vida considera ou ao menos pensa sobre ter um filho. Se neste momento, o arquétipo materno está se tornando um pouco mais ativo, poderíamos então afirmar que, pelos menos em alguns momentos durante sua existência, toda mulher teria o arquétipo de Deméter dominante? 

A partir do mito, podemos perceber que quando o arquétipo não pode ser realizado, a mulher tipo Deméter pode mergulhar em uma depressão, uma vez que sua vida passa a ser afetada pela falta de um significado. Se pensarmos na menopausa como uma impossibilidade, agora definitiva, de realizar novamente o arquétipo, principalmente se pensarmos que ela costuma vir com a saída dos filhos de casa para viverem as suas próprias vidas, poderíamos pensar também na mesma como uma ativação, em diferentes graus, desse arquétipo. Se considerarmos, além disso, que de acordo com as pesquisas, depressão, tristeza e angústia são sintomas comum da menopausa, não poderíamos associar esses sentimentos a aqueles sofridos por Deméter quando sua filha(o) cresce e deixa sua casa? Pensando no que foi discutido anteriormente sobre a natureza da vida/morte/vida, não seriam esses sintomas características do enfrentamento da morte de um período, que inclui a possibilidade de ser mãe novamente (ou pela primeira vez)?  

Esses questionamentos são feitos baseados na importância da maternidade para a mulher, além de ser ela a característica mais marcante de Deméter. Entretanto, é necessário ressaltar que este arquétipo não se relaciona apenas ao ser mãe, mas ele representa o instinto maternal desempenhado também na nutrição física, psicológica ou espiritual de qualquer outra pessoa, mesmo que não seja um filho biológico. Assim, podemos imaginar que a impossibilidade de nutrir um filho biológico poderia possibilitar que a mulher passasse a nutrir outras pessoas e, mais importante, a si mesma. Creio ser essa a razão pela qual grande parte das mulheres que entram na menopausa começa a buscar seu próprio desenvolvimento psicológico através de reflexões e questionamentos.

Manoel João

Terapeuta Floral – Psicoterapeuta holístico – Musicoterapeuta

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

As Várias Formas De Se Vir Ao Mundo

Por: Adriana Vitória – artista plástica, escritora e designer autodidata

Fonte:  http://www.contioutra.com/as-varias-formas-de-se-vir-ao-mundo/

10358551_620582231370865_3840695880948708203_n

Quando engravida toda mulher que você encontra tem conselhos ou historinhas pra contar, boas e más, e acreditem, foi neste período que me dei conta de que, apesar de todas as qualidades femininas, quando se trata de solidariedade, os homens dão um banho nas mulheres.

Não importa de quem venha, não ouçam! Não vale a pena. Nunca haverá uma historia igual a outra. Cada pessoa é um caso.

Tive uma vida absolutamente normal durante os nove meses da minha gravidez. Trabalhei, me mudei e dirigi ate poucas horas antes da minha filha nascer. Ela veio ao mundo depois de 12 longas horas de trabalho de parto. Foi um dia surreal que nem em meus melhores momentos criativos poderia imaginar.

Fiquei horas em um quarto com cinco homens (2 obstetras, 1 anestesista, 1 pediatra e o pai) a espera de um bebê. Depois de horas de papo e cantorias- o pediatra amava sambas e cantou muito pra mim- ela finalmente começou a vir. Já podia enxergar o topo da sua cabecinha, mas então, ela se moveu um pouquinho e a cabeça ficou presa.

Caos! A primeira vez em que me agarrei ao anestesista e pedi socorro. Era uma dor alucinante que descia pela minha perna.

Mesmo assim não desisti do parto normal, queria continuar tentando.

Pedi que tentassem me segurar de ponta cabeça, quem sabe assim ela não voltaria para descer na posição certa? Eles estavam meio incrédulos, mas concordaram. Acho que ganhei mais dois minutos de chance por merecimento, afinal de contas, quantas mulheres suportariam tantas horas sem reclamar de nada, sem chorar ou gritar ?

A tentativa foi em vão. Ela continuou no mesmo lugar. Não dava mais pra esperar. Dei adeus ao aconchego do quarto e fomos pra sala de cirurgia. Estranhamente não me sentia cansada. Estava ansiosa pra ve-la e, minutos depois, finalmente, ela nasceu. Veio pra mim chorando. Falei com ela e ela se acalmou imediatamente.

Apesar de tudo, foi tudo muito natural pra mim, como se estivesse tendo meu decimo bebê.

Outro dia, o pediatra postou em seu facebook a noticia de que as casas de saude no Rio estavam impossibilitadas de receberem as mulheres em trabalho de parto por causa do enorme número de reservas de partos programados ou cesarianas.

Quando foi que nos distanciamos de nossa natureza feminina? Ninguém é obrigado a sentir dor se não precisa.

Compreendo que algumas mulheres com problemas de saúde tenham que evitar o parto natural, tão defendido corajosamente pelo meu obstetra Marcos Dias, mas chegar a este ponto quando se têm anestesias para amenizar as dores das contrações é demais pra minha compreensão.

Provavelmente não teríamos sobrevivido em outra época ou país, mas estamos aqui e sou grata a todos os que estavam presentes, a Deus e a este dia inesquecível e maravilhoso.

Pra mim, assim como morrer, nascer é um processo que precisa ser vivenciado.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

A MORTE É UM DIA QUE VALE A PENA VIVER

Fonte – http://www.50emais.com.br/saude/medica-a-morte-e-um-dia-que-vale-a-pena-viver/ Este vídeo impressionou, no bom sentido, a minha amiga Renata Rieken e a minha irmã Nem Santana, ambas com mais de 60 anos. Assim que acabaram de assistir, as duas o enviaram para mim. Fiquei intrigada com o título, porque, normalmente, as pessoas fazem tudo para não falar sobre a morte. Embora seja a única coisa certa da vida, todos temem discutir sobre o nosso destino final. O vídeo, que já foi visto por mais de 100 mil pessoas, tem 18 minutos e mostra uma palestra da médica Ana Cláudia Quintana Arantes, especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, além de pós graduada em Intervenções em Luto. Com sua enorme sensibilidade, doutora Ana Cláudia consegue transformar um assunto que muitos consideram macabro em uma verdadeira aula sobre a vida. Não deixe de ver até o final:

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Por Que Pensar Te Torna Um Ser Mais Solitário?

http://lounge.obviousmag.org/recanto_da_desconstrucao/2014/10/por-que-pensar-te-torna-um-ser-mais-solitario.html     (Por Bruna Cosenza)

10846043_787537671310892_8610561934399170658_n

A sociedade pós-moderna está carente de Nietzsches. Pensar exige esforço e a coragem de encarar complexidades que, muitas vezes, preferimos ignorar.
“Quando Nietzsche Chorou”, obra de Irvin D. Yalom, traz grandes nomes da história como Josef Breuer, Sigmund Freud e o meu preferido: Friedrich Nietzsche. O autor mescla fatos reais e ficção com o intuito de explorar o nascimento da psicanálise por meio de encontros entre Breuer e Nietzsche que nunca aconteceram realmente.
O filósofo alemão sofre de uma crise existencial e depressão suicida que o atormentam profundamente, enquanto Breuer, que tem a missão de ajudá-lo, também está passando por algumas angústias pessoais. Dentre todos os temas discutidos ao longo do romance, o que mais me chamou a atenção foram as características de Nietzsche, que o tornam um homem completamente distante e solitário. Uma das falas do filósofo ilustra bem como ele se sente: “Às vezes, enxergo tão profundamente a vida que, de repente, olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou e que meu único companheiro é o tempo.”
Por ser tão fechado, Nietzsche não podia saber que estava sendo tratado por Breuer, pois a ideia de ter alguém invadindo sua intimidade o assusta completamente. A transformação ao longo das sessões é que Breuer lentamente se torna o paciente quando Nietzsche começa a ajudá-lo em relação aos seus tormentos e fantasias sexuais com uma mulher que não é a sua esposa. Posteriormente, o filósofo começa a confiar no psicanalista a ponto de se abrir como nunca havia feito antes.
O interessante é a forma como Nietzsche lida com a vida. Completamente fechado e sem conseguir estabelecer fortes laços devido a um trauma com uma mulher no passado, é um homem totalmente sozinho. E um questionamento que logo me veio foi: por que pessoas pensantes e reflexivas como ele costumam ser tão solitárias?
Normalmente, quem vive numa espécie de superfície tem mais facilidade de interagir com o mundo, pois seus dramas não tem a mesma magnitude daqueles vivenciados por um Nietzsche. E não entenda viver na superfície como uma crítica, pois é apenas uma das milhares de formas que o homem encontra para enfrentar sua jornada. Existem diferentes graus de se encarar a vida. Alguns mascaram as obscuridades justamente pelo medo que tem de enfrentar a dor. Outros, no entanto, transitam pela vida sem se darem conta da sua enorme teia de complexidades.
Entender e aceitar todas as dores da existência dá muito trabalho. Pensar resulta em incertezas, falta de respostas e consequentemente em angústias. Quem sofre com tudo isso é a psique, que de tão atormentada, pode posteriormente afetar o comportamento e a personalidade. Nietzsche diz enxergar a vida de forma tão profunda que se sente completamente sozinho. Com quem ele discutiria suas questões provenientes de uma visão tão reflexiva sobre a vida? Quem não tem esse mesmo nível de profundidade também não tem capacidade de viver com pessoas como Nietzsche.
large-8
Josef Breuer é contaminado por tantas reflexões de Nietzsche que em determinado ponto do romance não identifica mais nenhum sentido para sua vida. “Aquele rapaz agora envelhecido atingiu o ponto da vida em que não consegue mais ver seu sentido. Sua razão de viver, minha razão, minhas metas, as recompensas que me impeliram pela vida, se afigura absurda agora, quando medito em como busquei besteiras, em como desperdicei a única vida que possuo, um sentimento terrível de desespero me domina”, relata o psicanalista. Chegar nesse extremo é realmente desesperador, podendo resultar em crises e depressões profundas como as vivenciadas por Nietzsche.
Tendo em vista pessoas pensantes como Nietzsche, é possível fazer uma relação com a sociedade pós-moderna, permeada por indivíduos que tem extrema dificuldade de ficarem completamente sozinhos. Hoje, com o avanço tecnológico, as pessoas tem o costume de estarem 24h por dia conectadas e em momentos em que seria essencial a solidão para reflexão, rapidamente recorrem a um aparato tecnológico, uma mensagem a um amigo ou uma foto que consiga likes o suficiente com o objetivo de suprir essa carência e mal-estar. Estar realmente sozinho chega a ser uma raridade de poucos atualmente.
Essas pessoas que dificilmente tem um momento de reflexão solitário, diferente dos Nietzsches, parecem ser mais leves, despreocupadas e até mais felizes, talvez por mascararem suas angústias ou simplesmente por nunca terem se deparado com elas. Refletir sempre vai resultar em dor e descontentamento. Quem pensa, se dá conta de que muita coisa na vida não tem sentido nenhum e pensar mais e mais pode só aumentar a agonia. É por esse motivo que os Nietzsches que andam por aí muitas vezes são vistos como pessoas amarguradas e estranhas. Na verdade, encarar as verdades da vida torna esses indivíduos mais críticos, pois continuam numa busca incessante por respostas que podem nunca alcançar. Dessa forma, se isolam da maioria por se sentirem completamente incompreendidos e desencaixados num mundo onde parece que ninguém os acompanha.
O equilíbrio é essencial. Ser um Nietzsche constantemente pode gerar muito sofrimento como pode ser percebido no romance, mas ser incapaz de ter um momento solo é um erro muito comum hoje em dia e que passa despercebido.
Você que está lendo isso, quando foi a última vez que se sentiu um Nietzsche? Um peixe fora d’água? Quando foi a última vez que passou um dia inteiro realmente sozinho? Sem recorrer a ninguém além de si mesmo quando bateu uma agonia, uma dificuldade ou simplesmente uma tristeza. O mundo pós moderno está carente de verdadeiras pessoas pensantes, que saem da caixa sem medo de explorarem as profundezas mais escuras desse oceano que é a vida.
large-4
Sofrer dignifica, faz crescer… Mas sofrer em excesso leva ao desespero, à dor incontrolável. Portanto, pensar é preciso, mas ponderar os pensamentos é obrigatório. Quem pensa demais, vive de menos. E por mais que eu admire os Nietzsches que ainda existem por aí – solitários e reflexivos, tenho certeza de que quem trilha este caminho tem uma árdua tarefa que pode resultar na mesma conclusão de Nietzsche: 
“Penso que sou o homem mais solitário do mundo.”
Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

5 DICAS PARA TRANSCENDER OS MEDOS

Fonte – http://libertesedosistema.blogspot.com.br

544514_389287837835763_1149718819_n

Essas dicas não se aplicam apenas ao medo, mas para qualquer desafio mental que você está passando, busque captar a essência dos ensinamentos e verá que entender os padrões em que a mente opera irá lhe ajudar a entender a si mesmo, as pessoas e a vida em geral, de uma maneira muito mais produtiva.

1. Aceitá-lo
Engana-se aquele que crê poder superar seus temores renegando-os. Também se engana quem pensa em confrontá-los achando que irão terminar com eles através do conflito. Em ambos os casos o que existe é apenas a permanência do medo. Ele é uma criação perpetuada no reino das emoções, logo sua dissipação naturalmente não se dá por si só. Da mesma forma, confrontá-lo é realimentá-lo, pois é disso que ele vive.

Existe algo que suporta toda a matéria e tudo o que dela provém. É um fluxo constante, como a correnteza de um rio. Quando esse fluxo é bloqueado, diz-se que se está distorcendo a natureza da própria existência. Bem-aventurados são os que o compreendem e seguem-no em harmonia e paz. Quando isso é aprendido, o homem torna-se senhor de sua vida, pois não está mais contra a natureza. Logo, ele compreende que para vencer o medo é necessário aceitá-lo, pois sendo sua própria cria, renegá-lo ou confrontá-lo é ferir o próprio filho. O medo existe e continuará existindo a menos que você o eduque e o transforme em algo melhor. Deste modo, reconhecê-lo como existente é o primeiro passo para instruí-lo corretamente, recolocando-o de volta a favor do Dharma, do fluxo da Criação.

2. Conhecê-lo Profundamente
Dizia-se que na antiga arte da guerra, a tarefa principal do estrategista era a de conhecer o inimigo para então poder derrotá-lo. Aqui não há guerra, não há luta, não há conflito. Todavia, mesmo numa atitude pacífica ainda se faz necessário conhecer aquele o qual se deseje instruir. “Vencer o medo” é apenas uma alegoria. De fato, o que se pretende é purificá-lo, transformando-o em outra coisa. Conhecê-lo não é apenas no reino da superficialidade, mas em todas as nuances na qual ele age e por quais razões o faz. É preciso desmistificá-lo, destrinchá-lo a fim de entendê-lo de maneira profunda. Sendo parte de você, sendo sua cria, o mínimo que lhe é pedido pela naturalidade da situação é que conheça seu filho. Saiba por que ele surge, por que ele está sempre à espreita, por que você ainda não foi capaz de superá-lo. Conheça-o como a você mesmo.

3. Desvendar Sua Origem
Representação do Observador e a Ilusão
Tudo o que é da matéria, tudo o que é do limitado tem uma origem. A própria manifestação tem uma origem. Logo, para instruir o seu medo a fim de sublimá-lo é necessário ir fundo e desvendar sua origem. Em algum momento o medo foi criado. No instante de seu nascimento, sua inconsciência permitiu que esta cria se tornasse senhora de seu criador, você. Volte no tempo e tente encontrar o momento exato em que o medo surgiu.

Isso abrirá seus olhos para uma nova perspectiva, a do observador distante. Entenderá, deste modo, o quão necessário ou tolo foi ao aceitar a vinda desta criação para sua vida, uma vez que os motivos, agora a olhos distantes, são infantis, e quem sabe, sem sentido. Compreender a origem do medo é saber o ponto exato em que o sentimento da verdade, do não-medo, deixou de existir. E trazer de volta, ou reavivar, tal verdade, tal sentimento torna-se muito mais simples quando sabemos exatamente do que se trata.

4. Entender Suas Implicações
O medo traz diversas implicações que só podem ser compreendidas quando se tem total aceitação sobre ele e total conhecimento a respeito de sua personalidade e origem. Logo, após estar ciente do que o medo é e de onde ele surgiu, você será capaz de olhar de forma contumaz e atenta para todos os efeitos colaterais advindos dele.

Entender essas implicações traz de volta a razão, uma vez que agora, consciente do que está acontecendo, pode-se compreender que nada do que se origina do medo deveria estar presente em sua vida. A paranoia, a ansiedade, a irritação, a reclusão, o cansaço, a ignorância, tudo isso são implicações do medo. Identificá-las só é possível através dos três estágios citados acima. Logo, fica bastante evidente que não existe nenhum benefício para que o medo continue instalado em sua vida. Essa constatação não é superficial ou mental, mas profunda. Aqui já se está pronto para sublimá-lo.

5. Positivá-lo
Uma vez que esteja completamente consciente de que o medo não tem mais motivos para estar em sua vida agora, o próximo passo é de uma simplicidade absurda. Trata-se de olhá-lo profundamente nos olhos e amá-lo verdadeiramente. Isso só é possível após aceitá-lo e compreendê-lo em todas as suas variantes, pois se percebe o quão frágil ele é, assim como você era quando o criou. Por isso não alimente rancor em relação ao seu passado, não leve tão a sério, essa é a chave para conseguir deixar essa energia estagnada fluir.

Naturalmente, de maneira silenciosa, ele irá desvanecer por completo. Ao notar-se sem qualquer motivo para existir, tende a dissipar-se, pois só pode existir como medo. Ao transformar-se em coragem, já não mais é o que era. Diz-se que ele foi sublimá-lo. Ao não ter mais motivos para existir e mesmo assim recebendo amor de seu criador, o medo se transforma em sua contraparte. Esse então é o desapego amoroso.

Logo, de forma natural, silenciosa e pacífica, o medo desaparece e jamais tornará a nascer, uma vez que cada medo é um ser individual e único. Quem aprende a transformar seus temores, desejos, anseios, tristezas e raivas em suas contrapartes, torna-se seu próprio mestre. Isso é alquimia interior.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário