AMADURECER

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Boa noite amigos…

O que vem a ser amadurecer? Penso eu, que amadurecer significa separar de forma mais nítida, e também ligar de forma mais íntima, tudo o que é óbvio, daquilo tudo que nos faz um bem maior. A capacidade que a gente tem de olhar no olho, de agradecer, de dialogar, de criticar com sensibilidade, e de não criticar mas exercer a compaixão e a empatia. De ter coragem, mas também ter uma dose de medo na porção certa. Amadurecer, é não calcular e nem muito menos contar. Amadurecer, é ser como uma árvore que não apressa a seiva e permanece confiante durante a tempestade da primavera, sem ter o medo de que o verão não possa vir depois. Mas ele, o verão…vem apesar de tudo. A gente não amadurece por causa de comemorar um aniversário. A gente amadurece ao chorar uma noite inteira e acordar sorrindo e de alma leve como pluma solta ao sabor da brisa matinal. Mas também amadurecemos, quando durante a noite, a tempestade é forte e aterradora, e ainda assim, temos sorriso nos lábios e coragem na alma, sabendo que o amanhecer sempre vem ao sabor do novo dia ensolarado! Começamos a amadurecer quando rimos de algo que nos fez chorar. O tempo ensina, o tempo cansa, o tempo amadurece as idéias, sentimentos, ameniza dores, esfria e aquece emoções, cria expectativas, e as vezes estressa… mas é fato: O tempo não espera, ele passa, exatamente como diz a música: O tempo não para!. Não vamos ficar esperando pelos outros, procuremos sincronizar o que nos faz bem com as pessoas e com tudo que está no nosso tempo. O tempo já traz consigo todas as perdas que acumulamos ao longo da vida. Sendo assim, não percamos mais tempo em não viver. Quando nascemos, já começamos a morrer milimetricamente um pouco de cada vez. Que a gente saiba valorizar cada momento, porque todo mundo já está automaticamente em extinção. Chegou a hora de crescer, amadurecer e se dar conta de que a vida não espera por nós. A vida tem um ritmo, e eu, você, nós, não podemos ficar sentados com a boca escancarada e cheia de dentes e vê-la passar, mas, podemos sorrir pra ela e deixar-se levar em uma linda e maravilhosa dança, no ritmo da melodia da vida. E que melodia linda é esta música! Meus amigos e amigas…vivamos cada segundo como se fosse o último. Até porque, não sabemos em que momento a campainha de chamada para a grande viagem vai soar. Não vamos parar por causa dos momentos difíceis. Carlos Drummond De Andrade já dizia: Dor é inevitável…sofrimento é opcional. E estas duas alavancas vão nos ajudar a entender, e cumprir nossa missão, que é a de ser feliz…e fazer feliz. Chegou a hora de pensarmos um pouco mais nos outros, de sonhar, perdoar, e deixar nosso ego para trás. A vida tem um ritmo, mas ela não tem mapa. Podemos direcionar a vida a até certo ponto, mas jamais controla-la. Apenas sejamos pacientes e sigamos o ritmo do coração. Mas vivamos cada segundo! Só existe um de cada um de nós. Sendo assim, ninguém pode ser substituído. Cada um de nós, deixará sua marca na história da humanidade e na vida de alguém. Todos nós, somos únicos! Que a gente saiba cuidar muito bem disso. Que as marcas deixadas por nós, sejam marcas que valham a pena serem lembradas. Pode não parecer, mas mudar e amadurecer são duas coisas bastante diferentes.

Manoel João

Terapeuta Floral – Psicoterapeuta – Musicoterapeuta

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O QUE É VIVER

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Por Manoel João
Terapeuta Floral – Psicoterapeuta – Musicoterapeuta

Não basta existir, é preciso viver. E viver é muito mais que existir. Viver implica aprender e, para ser aprendiz, é preciso humildade para reconhecer a própria ignorância.

Viver implica educar-se para o amor, e, amando e amado, experimentar a angústia de saber-se iluminado sem sentir-se luz, vivenciando as dores e as venturas de sentir-se completo sem poder ser pleno. Viver implica movimento. E não há movimento sem esforço e atrito. A vida é dinâmica, jamais se estanca. Vibra serena e sem pressa, embora nunca pare para esperar quem ignore seu ritmo.

Para existir, basta estar. Para viver, é preciso ser, por inteiro. E para viver, ainda que existindo, é preciso ser estar e estar, num ser único. Viver implica acreditar-se imortal e eterno, mesmo sabendo que nada é permanente.

Viver implica progredir, ir adiante, avançar. Viver é existir de todas as formas e em todas as dimensões, amando cada uma delas.

Para viver, não basta ver, ouvir, pensar e falar, pois estas são manifestações da existência. Para viver, é preciso sentir, mergulhar em si mesmo e sair, novamente, para observar-se sem paixão.Viver implica iluminar-se e, sob a luz da própria consciência, apontar os próprios defeitos e limites. Viver implica assumir a responsabilidade pelos próprios atos, transformando-os todos em gestos de amor e compaixão.

Viver implica conhecer-se, profundamente, e, ciente de si, deixar de enganar-se, trabalhando para mudar aquilo que não está bem.

Viver implica reconhecer, no universo, o próprio lar; nas humanidades cósmicas, a própria família; na criação infinita, o próprio berço; e na natureza a própria saúde e o único sustento.

Não há vida sem troca, não há troca sem perdas, não há perdas sem ganhos, não há ganhos sem lutas, não há lutas sem dor, não dor sem razão; e não razão fora da vida. Viver é muito mais que existir, mas ninguém aprende a viver plenamente sem existir, muitas vezes, de muitas maneiras.
Viver é transcender o que se pensa saber da vida, para assimilar-lhe a verdadeira sabedoria. Viver implica arriscar-se. E o maior risco é errar. Mas viver também implica estar certo. E a maior certeza é a de que, a cada erro, mais se pode aprender.

Para existir basta ter sangue nas veias e ar nos pulmões. Para viver, no entanto, é preciso sangrar e sufocar-se de tanto amor. Na existência, há apenas meias verdades e grandes mentiras, enquanto a vida no conduz ao coração da única verdade absoluta.

Viver é manifestar-se sem tempo ou espaço; é ser fogo ardendo sempre, sem se queimar; é verbo que não se conjuga, apenas se pratica; é palavra que não se define, apenas se diz; é conceito que não se explica, apenas se vive.

Viver é estar no todo, sendo tudo, sem nunca esgotar-se. Quem vive, canta por dentro, a despeito do silêncio exterior. Quem vive, existe em todos os lugares, sem pertencer a nenhum. Quem vive, busca, em si mesmo, o que deseja para o seu caminho e, quando encontra, volta a buscar. Quem vive, não vê morte, apenas transformação; não morre, transmuta-se para a vida; não nasce, apenas passa pela morte para viver.

Viver é ir mais, mudar sempre, virar-se e revirar-se, buscar o próprio avesso, sem saber onde fica o direito. Viver é enxergar a luz, mesmo nas sombras, e criar luz nas próprias trevas.

Viver é expandir a própria existência para além dos limites imaginados. Viver é doar-se, sem pedir; é ceder, sem resistir; é entregar-se, sem recear.

Quem vive, renasce um novo ser todos os dias. Quem vive, tem a própria existência traçada a lápis e recria o próprio destino, minuto a minuto, com a borracha da sabedoria e do perdão. Quem vive, não sabe o caminho ou quando chegará, para sabe para onde está indo.Quem vive, continua na morte e recria-se ao nascer, sabendo que é preciso morrer para nascer e é preciso existir para morrer.
Viver é ter na própria consciência uma única história, representada por milhares de faces, nomes, episódios de milhares de existências.

Para viver, não basta existir, pois existir é pouco para um ser que nasceu para ser Deus.

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SEGUE TEU DESTINO

 Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias
(Fernando Pessoa)
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Por Manoel João
Terapeuta Floral – Psicoterapeuta – Musicoterapeuta
Parece fácil seguir o conselho de Fernando Pessoa, mas a prática indica que existem inúmeras dificuldades a serem vencidas antes que a gente consiga se decidir a seguir o nosso destino.

A primeira dificuldade surge em reconhecer o que nos pertence e o que pertence ao outro. Como saber se este caminho é meu e não do outro? Qual meu caminho? Pra onde devo ir?

A segunda dificuldade surge quando nos perguntamos (e sempre nos perguntaremos….cedo ou tarde): Por que tenho de seguir o meu caminho, deixando o outro seguir o dele?

E a terceira dificuldade é indicada pela afirmação ou negação da pergunta anterior:Não posso seguir o meu caminho sem ninguém! Preciso de alguém ao meu lado? Ou, posso seguir meu caminho com alguém…Ou, não preciso de ninguém comigo!

Podem existir outras dificuldades ( e elas existem…quer se acredite ou não), mas neste texto, vou me focar neste assunto, e nestes três tópicos escolhidos.

A primeira dificuldade esbarra na confluência.

Apenas para esclarecer, confluência é um estado de não contato, de fusão por ausência de contato. Trocando em miúdos, a confluência surge quando há fusão de interesses, gostos e atitudes com alguém próximo, ou muito próximo, que acaba resultando na incapacidade progressiva de tomar as próprias decisões. As pessoas tendem a agir como se fossem uma só.

Este modo de se comportar, nos remete às relação mãe/filho, que com o passar dos anos tende a modificar-se, tornando-se uma relação mais segura e consistente. Porém, isto não ocorre sempre e algumas pessoas chegam à idade adulta dependente do apoio do outro na tomada de decisões, e decisões as vezes, muito simples. Tipo,eu compro isso ou aquilo? Adquiro esta marca ou outra? E como não conhece outra forma de se comportar, passam boa parte da vida buscando alguém com quem possa viver em confluência, uma vez que não aprenderam a tomar as próprias decisões. Complicado não é?

A segunda dificuldade está relacionada com as relações de controle.

Como se viver a vida alheia fosse a meta da própria existência. Viver para o outro, em função do outro, controlar o outro, se apoderar do outro, não dando a este outro a chance de vivenciar suas próprias escolhas. É o extremo oposto da confluência. É a invasão do outro. É a implosão das barreiras de contato que existem para proteger a individualidade alheia. Este comportamento invasivo pode estar relacionado com o medo de deixar o outro seguir seu rumo e perdê-lo, numa curva do caminho. Geralmente estas atitudes controladoras estão relacionadas com a própria insegurança, afinal é preciso controlar o outro para garantir a própria felicidade. Complicado também não é?

A Terceira dificuldade se relaciona com o medo da solidão.

Mesmo quando não há necessidade de ser controlado ou controlar, para algumas pessoas, seguir o próprio caminho pode significar fazer escolhas diferentes dos demais, resultando em trilhar caminhos diferentes das pessoas queridas. Novos caminhos indicam a possibilidade de novos relacionamentos, de novos modos de pensar, de agir, novas amizades, novos amores. Parece um contrassenso, mas para algumas pessoas isto pode ser algo realmente doloroso, pavoroso, por que indica uma ruptura, uma quebra, um destroçar da zona de conforto. Vale lembrar que a tal da zona de conforto, não te causa mal algum. Mas também não te leva pra lugar nenhum! E continua complicado né?

Por isso, “seguir o teu destino” ” fazer teu destino”, não é algo fácil.Todas as escolhas são tortuosas e trarão perdas e ganhos. Mas, se não se lançar rumo a caminhada, não se terão perdas, e nem ganhos. Ou seja, não se tem nada, não se aprende nada, não se vive nada!

E, por mais dolorosa que seja a nossa caminhada, com perdas, mas também com ganhos, acreditem meus amigos…é preferível morrer por algo e para algo, do que viver por nada e para nada!

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AO FALAR DOS OUTROS, REVELAMOS MUITO DO QUE EXISTE EM NÓS.

Por Manoel João: Terapeuta Floral – Psicoterapeuta – Musicoterapeuta

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Existe uma frase atribuída a Sigmund Freud, o criador e pai da psicanálise, que traz os seguintes dizeres: “Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”. Se a sentença foi realmente proferida por Freud, não sei. Entretanto, o significado da frase faz muito sentido, e é muito precisa, já que cada um revela um pouco de si mesmo a partir do que identifica no outro, pois projetamos nos outros aquilo que está em nós mesmos, pois na concepção da psicanálise, cada indivíduo tem uma visão única de mundo, formada ao longo da vida em função de sua educação e suas experiências individuais e coletivas, que influenciam o modo de perceber as pessoas. São essas imagens, ideias e conceitos que projetamos nas pessoas quando pensamos nelas ou falamos sobre elas. E bastam apenas poucos segundos para formarmos uma opinião sobre alguém, e muitas vezes, basta apenas um simples “oi” ou um ” bom dia” para formarmos uma opinião!

A maneira como julgamos alguém ou o que falamos a respeito dele estão intimamente relacionados com o nosso jeito de ser, Se sou otimista, vou destacar aspectos mais positivos daquela pessoa.

Claro, além da influência da biografia de cada um naquilo que mais salta aos olhos quando analisamos o outro, existe também, o peso do momento, ou seja, as circunstâncias que estamos vivendo também condicionam o nosso pensamento, ou seja, muitas vezes aquilo que tanto incomoda no outro pode ter relação com uma característica que também possuímos, mas não aprovamos e nem sempre enxergamos. Se isso, ou aquilo não tivesse nada a ver com as nossas dificuldades, não nos incomodaria, e sendo assim, provavelmente nem perceberíamos. A forma como encaramos a atitude e o comportamento dos outros tem ligação com o que pensamos acerca de nós mesmos. Quando o outro está nos afetando de maneira bastante significativa, ou seja, pode ser que ele esteja interferindo na ideia central que tenho de mim mesmo!

Uma pessoa também é capaz de nos perturbar quando nos provoca de algum modo. Por exemplo: Às vezes, o outro me incomoda porque é melhor do que eu. E eu não quero melhorar, porque eu estou acomodado!

Mas, apesar de o outro servir com frequência de espelho, refletindo quem somos e o que pensamos do mundo, nem tudo que vemos é a nossa própria imagem. Aspectos que repudiamos também aparecem e causam revolta. O outro também pode me incomodar porque vai contra uma série de valores que temos estima e consideramos corretos. Por isso, devemos estar atentos ao que falamos e pensamos dos outros. Cabe sempre a reflexão do porquê aquela pessoa nos incomoda, em que ela nos atrai ou repele, o que admiramos nela ou invejamos. A visão que temos de alguém, é sempre limitada. Por essa razão,nenhum julgamento deve, ou deveria ser definitivo, afinal, temos um compromisso com o que estamos vendo, mas também com a limitação do que estamos vendo.

O recalque é muito mais do que uma palavra da moda para alfinetar. Trata-se de um termo que reúne conceitos amplos, e vai além da inveja. O recalcado é alguém que precisou, em algum momento da vida, abafar certos desejos e emoções. E, a partir de então, tenta eliminar do inconsciente, vontades que, muitas vezes, são consideradas inaceitáveis para ele. Assim, quando a pessoa recalcada se depara com alguém liberando um desejo que ela considera difícil de realizar, a maneira de lidar com isso é censurando, criticando e reprimindo o outro. São homens e mulheres frustrados, com dificuldade de entrar em contato com os próprios sentimentos, e que encontram no próximo uma maneira de extravasar isso. E o resultado é alfinetada atras de alfinetada e o famoso beijinho no ombro!

Pessoas que acham que todo mundo morre de inveja delas, apesar de acharem que todo mundo está de olho em seu sucesso, na verdade, são pessoas recalcadas que se incomodam demais com os outros. A grande maioria das pessoas acha que a inveja é um sentimento ruim. Então, é mais fácil ver alguém projetar a inveja que sente nos outros, já que se trata de um sentimento difícil de admitir até para si mesmo, do que aceitar o que sente. E como todo recalcado quer que o percebam, uma maneira de chamar a atenção é dizer como os demais o consideram especial, digno de destaque, já que é alvo de inveja, ou como ele se imagina, alvo de invejosos! ou seja, sentir dificuldade em aceitar características que o outro tem e gostaria de se ter, é a base do recalque. O desejo do indivíduo é suprido por outra pessoa, o que incomoda, e muito. A dificuldade em admitir o brilho, a beleza, a inteligência ou quaisquer outras qualidades do outro está ligada à baixa autoestima e a sentimentos de menos valia, e também a um alto grau de competitividade. O resultado vem na forma de atitudes mesquinhas e controladoras, já que o recalcado não consegue ser generoso consigo nem com os outros.

A impressão que se tem, ainda mais em tempos de redes sociais, com a proliferação de discursos de ódio, é que as pessoas falam mais mal, do que bem dos outros. Parece uma questão de sobrevivência, se lembrar mais do que faz mal, do que nos faz bem!

Ocupar-se da vida alheia e praticar a maledicência é uma forma de se inserir em um grupo. Mas isso acontece de maneira mais exacerbada, com aqueles que levam uma vida vazia, sem sentido, pois quanto mais frágeis nos sentimos, mais precisamos nos defender. E falar mal dos outros é uma forma de defesa. Ou seja, quando não percebemos nada de interessante na nossa própria vida, passamos a cuidar da vida dos outros.

E essa atitude, de meter o pau nos outros, falar da vida alheia às vezes funciona como estratégia para lidar com as nossas próprias dificuldades, pois falar mal dos outros pode ser uma forma de compensar os nossos próprios complexos.

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QUANDO O ESPIRITUAL DOMINA

 Por Manoel João

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” A espiritualidade pode ser definida como uma “propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, à procura de um sentido de conexão com algo maior que si próprio”. A espiritualidade pode ou não estar ligada a uma vivência religiosa. Denominamos espiritualidade tudo que se refere à natureza subjetiva do ser humano. Seu aspecto psíquico, não material, transcendente às concepções físico-energéticas, distanciado do causalismo fisiológico” !

Uma das palavras mais usadas nestes últimos tempos é a busca de uma maior espiritualidade, porque faz muita falta para o equilíbrio de nossa vida. Em termos psicológicos, quando se fala muito de uma coisa é porque não a possuímos e, portanto somos carentes do que falamos. Não sei se vocês vão concordar ou não com tal afirmação. Mas, o que posso dizer e afirmar, é que a espiritualidade e consequentemente a espiritualização, não é uma teoria que preenche o coração de ninguém. Espiritualidade e espiritualização individual, para que se torne algo pessoal e amado deve sair do papel e do campo das ideias e se fazer vida, ou seja, tornar-se uma prática. Somente quem vive olhando para o alto, não se deixando escravizar pelas coisas da terra, e pode lentamente tornar-se uma pessoa espiritual. Devemos evitar o espiritualismo que nos impede de compreender que a ação é o caminho certo de toda forma de espiritualidade. A busca da espiritualidade deve nos ajudar a ser cada vez mais livres e senhores dos nossos instintos.

Se visitar uma livraria, você fica espantado em ver tantos livros que são denominados de espiritual e espiritualidade, mas que na verdade não passam de pequenas e às vezes insignificantes orientações emocionais e psicológicas que não atingem o verdadeiro sentido da vida. Eu tenho todo e maior respeito para com todos estes autores que fazem um bem imenso aos que leem, mas, na grande maioria destes livros, ainda assim, falta um sentido maior, porque, penso eu, que não pode existir uma autêntica espiritualização, sem uma referência explícita a determinados valores fundamentais como a defesa da vida, da paz, dos direitos humanos, da ética, da moral!

Dai, alguém pode objetar dizendo: Ta Manoel, mas a moral rejeita muitas coisas, e o que existe por aí, são diversas imoralidades que em tese, são aceitas como perfeitamente normais e moralmente corretas!

No que eu respondo que não é intenção minha causar polemicas desnecessárias, mas que justamente por isso, por conta de valores distorcidos pelo nosso orgulho, pelo nosso egoismo, pelo nosso ego doentio, pela nossa cegueira mental, é que por vezes, o imoral é aceito como moralmente correto, o preconceito é aceito como norma, e o correto em muitos casos é aceito como errado!

A busca da espiritualidade não pode prejudicar a ninguém, mas deve nos ajudar a ser cada vez mais livres da matéria e senhores do nossos instintos, e consequentemente senhores de nós mesmos!. A verdadeira espiritualidade é fruto de uma luta corajosa, forte e acirrada, onde ficamos feridos, arranhados e sangrando, mas não desistimos jamais de lutar. Um dos textos que mais me ajudam como aprender a verdadeira e autêntica espiritualidade é a carta de Paulo aos Gálatas. Este pequeno trecho, me recorda a beleza da vocação individual, do chamado individual de cada um, de sua busca rumo ao caminho espiritual que devemos percorrer e que devemos sempre ter presente na vida: “Fostes chamados para a liberdade. Somente quem busca a autêntica liberdade se aventura no caminho espiritual.”

Quando me refiro a vocação, não me refiro a vocação de ser padre ou freira, ou pastor ou o que quer que seja no sentido de ministério dentro de um templo. Mas quando digo vocação, é no sentido de buscas internas, é o conhece-te a tí mesmo! É buscar qual sua vocação profissional, sua vocação pessoal, seus caminhos de libertação de sí mesmo e consequentemente felicidade em suas esferas de vida! Assim repito: “Fostes chamados para a liberdade. Somente quem busca a autêntica liberdade se aventura no caminho espiritual.”

Liberdade não é o que se entende como normalmente se diz no dia a dia. Muito se diz, que ser livre é quem faz o que quer e como bem entende. Há muitos autores que dizem: “Tenho o direito de ser feliz e de buscar a minha felicidade e realização, portanto até que não encontre vou buscando, não importa se isto me faz romper os laços da família, do amor, dos compromissos do matrimônio ou do relacionamento familiar, o que vale é a minha felicidade.” Novamente, eu respeito cada autor de autoajuda, Mas discordo de tal afirmação, pois na verdade nunca seremos felizes se nos deixarmos dominar pelo egoísmo que está em nós.

A liberdade é um sonho duro a ser conquistado e que vai exigindo muito de nós. Esta liberdade nos leva à verdadeira espiritualidade do amor. Quanto mais reflito sobre o amor, eu percebo que menos sei dele, e, no entanto me parece que com os anos que vão chegando, ainda assim eu o compreendo mais. Talvez, porque a memória dos fracassos que tive, fracassos esses por conta de ações ou omissões minhas, me faz ver em outra perspectiva o mesmo amor que devo conquistar. Perceber a necessidade do amor para viver uma dimensão de vida que não pode ser espiritualização superficial, mas sim espiritualidade e espiritualização autêntica e vital.

O caminho da verdadeira espiritualidade é um processo de libertação interior onde tudo está debaixo do poder da nossa liberdade. Liberdade essa, que após o entendimento de nós mesmos, mostrará a nós mesmos, que nada mais poderá nos impedir de sermos livres no nosso agir. E seremos livres e libertos, justamente porque saberemos agir! Na espiritualidade então percebemos que é necessário superar as ideologias mágicas que não realizam nada em nós, ideologias estas, que na grande maior parte, são feitas somente pelo intuito de receber de graça e nada mais fazermos. São espiritualidades vazias e sem fundamento. É preciso que o que consideramos Eterno, Divino, Superior, o Deus de nossos corações, encontre em nós uma resposta e se faça carne. Deus nos dá um espaço de tempo na carne, para viver a nossa espiritualidade e é neste espaço de vida que somos chamados a realizar o seu projeto de amor divino. Somos co criadores com Deus. E se não acordarmos o verdadeiro divino e buscarmos a nossa verdadeira vocação, não vai ter caminho nenhum que vai nos levar à iluminação. É aqui e agora que a nossa vida deve se realizar. Na conquista, no dia a dia duro e difícil do nosso carregar a cruz, e na luta sem trégua contra o mal que está dentro e fora de nós.

Manoel João – terapeuta Floral – Psicoterapeuta Holístico – Musicoterapeuta

 

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O QUE É IMPORTANTE…

( Autor desconhecido)

Pare, Pense & Reflita

Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida.

Um dia, durante uma conversa entre advogados, me fizeram uma pergunta: O que de mais importante você já fez na sua vida ?
A resposta me veio a mente na hora, mas não foi a que respondi pois as circunstâncias não eram apropriadas. No papel de advogado da indústria do espetáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre meu trabalho com as celebridades.
Mas aqui vai a verdadeira, que surgiu das profundezas das minhas recordações: O mais importante que já fiz na minha vida ocorreu em 08 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um ex-colega e amigo meu que há muito não o via. Entre uma jogada e outra, conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um. Ele me contava que sua esposa e ele acabavam de ter um bebê. Enquanto jogávamos chegou o pai do meu amigo que, consternado, lhe disse que seu bebê parara de respirar e que fora levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro de seu pai e se foi.
Por um momento fiquei onde estava, sem pensar nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer: Seguir meu amigo ao hospital ? Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada pois a criança certamente estaria sob cuidados de médicos, enfermeiras, e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação. Oferecer meu apoio moral? Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários, acontecesse o que acontecesse. A única coisa que eu faria indo até lá, era atrapalhar. Decidi que mais tarde iria ver o meu amigo.
Quando dei a partida no meu carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro, aberto e com as chaves na ignição, estacionado junto às quadras de tênis. Decidi, então, fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves. Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que os consolavam. Entrei sem fazer ruído e fiquei junto a porta pensando o que deveria fazer. Não demorou muito e surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunicou o falecimento do bebê.
Durante os instantes que ficaram abraçados, a mim pareceu uma eternidade. Choravam enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silêncio de dor.
O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança. Meus amigos ficaram de pé e caminharam resignadamente até a porta. Ao me ver ali, aquela mãe me abraçou e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: Muito Obrigado por estar aqui !
Durante o resto da manhã fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebê, despedindo-se dele. Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida.
Aquela experiência me deixou três lições:
Primeira: o mais importante que fiz na vida, ocorreu quando não havia absolutamente nada, nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exercia a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, me serviu naquelas circunstâncias: duas pessoas receberam uma desgraça e nada eu poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal.
Segunda: estou convencido que o mais importante que já fiz na minha vida esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi na universidade, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal assim como fazia na profissional. Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma de que deveria ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhado meu amigo ao hospital.
Terceira: Aprendi que a vida pode mudar em um instante. Intelectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem com os outros. Assim fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas, podem alterar este futuro num piscar de olhos.
Para alguns é necessário viver uma tragédia para recolocar as coisas em perspectiva. Desde aquele dia busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder férias, romper um casamento ou passar um dia festivo longe da família.
E aprendi que o mais importante da vida não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras. O mais importante da vida é ter tempo para cultivar uma amizade.

 

 

 

 

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HISTÓRIA DOS VIAJANTES Por Dr Edward Bach – 1934

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Era uma vez, é sempre era uma vez, dezesseis viajantes que saíram para uma excursão através de uma floresta. A princípio, todos iam bem; porém, depois de terem caminhado durante algum tempo, um dos integrantes do grupo, de nome AGRIMONY, começou a se preocupar quanto a estarem eles no caminho certo ou não. Depois, já de tarde, tendo mergulhado ainda mais na escuridão, MIMULUS começou a ter medo de que tivessem perdido a trilha. Quando o sol se pôs e as sombras aumentaram e os ruídos noturnos da floresta começavam a fazer-se ouvir, ROCK ROSE ficou apavorado e em estado de pânico. No meio da noite, quando tudo eram trevas, GORSE perdeu toda esperança e disse:
“- Não seguirei além daqui; continuem vocês; ficarei aqui do modo como estou até que a morte alivie meus sofrimentos.”

OAK, por outro lado, embora sentindo que todos estavam perdidos e que nunca veriam novamente a luz do sol, disse:

“- Continuarei lutando até o fim”, e o fez de modo corajoso.

SCLERANTHUS tinha alguma esperança, mas às vezes sofria de incerteza e de indecisão, esperando primeiro seguir uma trilha e quase ao mesmo tempo, outra. CLEMATIS continuava a caminhar com dificuldade, quieta e pacientemente, mas – oh! – bem pouco preocupado no que diz respeito a dar ou não ali o último suspiro ou sair da floresta.

GENTIAN algumas vezes animava bastante o grupo, porém outras vezes caía num estado de desânimo e depressão. Outros excursionistas nunca tinham medo, a não ser de que seus companheiros desistissem da excursão e, a seu modo, queriam muito ajudá-los.

HEATHER tinha muita certeza de conhecer o caminho e queria que todos os companheiros a seguissem. CHICORY não se preocupava com o fim da excursão, porém demonstrava muita preocupação no que diz respeito a estarem ou não seus companheiros com dor nos pés, cansados ou com suprimentos suficientes para se alimentar. CERATO não tinha confiança em suas opiniões e queria tentar todos os caminhos para se certificar de que o grupo não estava errado, e o pequeno e dócil CENTAURY queria tanto tornar mais leve o fardo dos outros que estava pronto para carregar os apetrechos de todos. Infelizmente, para o pequeno CENTAURY, ele carregava o fardo dos mais aptos a fazê-lo pois eles eram considerados os mais fortes.

ROCK WATER, todo ansioso para ajudar, desapontava um pouco o grupo porque criticava o que eles estavam fazendo de errado e, no entanto, ROCK WATER sabia o caminho. VERVAIN também devia conhecer suficientemente o caminho mas, embora estivesse um pouco confuso, fazia um discurso detalhado sobre qual seria a única trilha que os levaria para fora da floresta. IMPATIENS, outrossim, conhecia bem o caminho de casa, tão bem que estava impaciente com os que eram menos rápidos que ele. WATER VIOLET percorrera anteriormente aquele caminho e sabia a trilha certa, no entanto, era um pouco orgulhoso e arrogante, o que os outros não entendiam. WATER VIOLET julgava-os um tanto inferiores.

Ao cabo, todos foram ao fim da floresta. Agora, eles atuam como guias para os outros excursionistas que não fizeram a excursão antes e, devido ao fato de saberem que há um caminho que leva até o final e devido ao fato de saberem que a escuridão da floresta não é outra coisa do que as sombras da noite, eles andam como “cavalheiros indômitos”, e cada um dos dezesseis excursionistas ensina, a seu próprio modo, a lição, dando o exemplo:

AGRIMONY dá largas passadas sem nenhuma preocupação e faz troça de tudo. MIMULUS não sabe o que é medo; ROCK ROSE, nos momentos mais difíceis, é a própria imagem da calma, da coragem serena; GORSE, na noite mais negra, fala-lhes acerca das etapas que serão vencidas quando o sol surgir pela manhã.

OAK mantém-se imperturbável durante o mais forte vendaval; SCLERANTHUS caminha com inabalável convicção; os olhos de CLEMATIS estão postos com alegria no fim da viagem; nenhuma dificuldade, nenhum contratempo podem desanimar GENTIAN.

HEATHER aprendeu que cada viajante deve seguir o próprio caminho e, silenciosamente, vai à frente, a passadas largas para mostrar que isso pode ser feito. CHICORY sempre esperando ajudar, porém apenas quando solicitado, continua tranquilo. CERATO conhece muito bem as pequenas trilhas que não levam a parte alguma e CENTAURY sempre busca as pessoas que são mais fracas, que julgam pesado o fardo que carregam. ROCK WATER não sabe mais incriminar ninguém, passa o tempo todo encorajando os demais. VERVAIN não prega mais coisa alguma porém, silenciosamente, aponta o caminho. IMPATIENS não sabe mais o que é pressa, mas se atrasa entre os retardatários para manter o passo. WATER VIOLET, mais como um anjo do que como um homem, passa em meio ao grupo como um sopro de vento ou como um raio glorioso de sol, abençoando a todos.”

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